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17/04/2026
7 em cada 10 vítimas de violência contra mulher na Amazônia Legal têm até 14 anos, aponta pesquisa
Tocantins

7 em cada 10 vítimas de violência contra mulher na Amazônia Legal têm até 14 anos, aponta pesquisa

mar 18, 2024


Segundo levantamento do Instituto Igarapé, amazônidas são proporcionalmente mais vítimas de assassinatos e de violência sexual do que mulheres de outras regiões do Brasil. Conflitos socioambientais e presença de facções agravam o problema. Amazônia Legal tem 30% mais casos de violência sexual do que restante do país, aponta pesquisa
A mulheres que vivem na região da Amazônia Legal são, proporcionalmente, mais vítimas de violência sexual e assassinatos do que no restante do país. De cada 10 vítimas, sete são meninas de até 14 anos de idade.
O relatório “A violência contra mulheres na Amazônia Legal nos últimos cinco anos em comparação com o restante do país” foi divulgado nesta segunda-feira (18) e obtido em primeira mão pela GloboNews.
Em cinco anos (de 2019 a 2023), o homicídio doloso de mulheres teve queda de 2% na Amazônia Legal, ante 12% no restante do Brasil.
Já a violência não letal (aquelas que não resultam em morte, como física, sexual, psicológica e patrimonial) aumentou 47% na região, contra 12% em outros estados do país.
A violência patrimonial contra mulheres cresceu em 62% na região. No país, esse aumento foi de 51%.
A violência psicológica na Amazônia Legal teve um salto de 82%, enquanto no restante do país, foi de 14%.
Os casos de violência política cresceram 142% nos últimos cinco anos. O estado com mais casos reportados em todo o período é o Amazonas (135 casos), seguido pelo Pará (76).
A violência física aumentou 37%, ante 3% no restante do país.
Violência física contra mulheres na Amazônia Legal
Reprodução/GloboNews
Temos visto um crescimento da violência política contra mulheres a partir do momento em que ela passa a ter é um papel de liderança, um papel político de defensora dentro da região. As camadas de violência sobre elas também aumentam. Então, trazer esse cenário mais completo sobre essa realidade é absolutamente central para elaborar melhor as políticas públicas.
👉 Segundo o IBGE, a Amazônia Legal é dividida em duas partes: a Amazônia Ocidental, composta pelos estados do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima, e a Amazônia Oriental, composta, por exclusão, pelos estados do Pará, Maranhão, Amapá, Tocantins e Mato Grosso.
O relatório fez o cruzamento de dados de sistemas de saúde e segurança de estados e municípios, além de informações de organizações não governamentais, como a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e o Projeto ACLED.
Violência sexual é maior na região amazônica brasileira
Além da pesquisa, o Instituto Igarapé lançou nesta segunda-feira a plataforma “Mulheres na Amazônia: Conflitos e Violências”, que compila diferentes tipos de violência enfrentada por mulheres na região, abrangendo o Brasil, Colômbia e Peru.
Além de números sobre violências letais, não letais e políticas, a plataforma fornece informações sobre conflitos socioambientais, como disputas por terra e água no Brasil, e expõe as pressões territoriais, incluindo a localização de zonas de mineração legais e ilegais, projetos hidrelétricos e estradas. Entre os dados que aparecem na ferramenta estão:
Na Amazônia, a taxa de homicídio de mulheres supera a média do restante do país em 48% no Brasil, 80% na Colômbia e 27% no Peru
A violência sexual é maior na região amazônica nos três países.
A Amazônia brasileira apresenta uma taxa 30% maior de violência sexual do que no restante do país.
Essa violência não começou hoje, não começou ontem, é um processo histórico muitas vezes, especialmente quando a gente olha para a região amazônica.
Segundo ela, isso é reflexo de “conflitos socioambientais historicamente presentes na região e mais recentemente uma sobreposição de camadas de novas violência”.
“Seja com crime ambiental, elementos que a gente vem estudando e entendendo como é que acontece dentro de um ecossistema de crimes, seja o desmatamento, seja o aumento de violência na região, com a própria entrada de facções vinculadas ao tráfico de drogas”, observa.
Segundo a diretora de pesquisa do Instituto Igarapé, esses elementos contribuem para aumentar o risco de confrontos na região, resultando em um crescimento das agressões contra as mulheres na Amazônia.
“A gente está vivenciando o momento de mudanças climáticas, e olhar para as mulheres e pensar nelas como protetoras desse ambiente é absolutamente central”, diz.
Ao avaliar dados de segurança pública e de saúde, é preciso considerar o contexto dos conflitos socioambientais da região para conseguir ter o cenário completo sobre a situação de violência.
O diz o governo federal
Procurado pela reportagem, o governo federal informou que o Ministério das Mulheres, à frente de um grupo interministerial que conta com a participação do Ministério da Justiça, irá lançar um plano de ação de prevenção aos feminicídios.
O objetivo é “prevenir todas as formas de discriminação, misoginia e violência de gênero contra mulheres e meninas, por meio da implementação de ações governamentais intersetoriais, com a perspectiva de gênero e suas interseccionalidades”.
Segundo o governo, o plano de ação será apresentado nesta terça (19).