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04/05/2026
Nos primeiros dias do 25 de Abril, Lisboa viveu o Carnaval da liberdade
Internacional

Nos primeiros dias do 25 de Abril, Lisboa viveu o Carnaval da liberdade

abr 20, 2024

Foi no dia 25 de abril de 1974, há 50 anos, em Lisboa, uma quinta-feira, muito fria para a primavera, e eu estava lá. Um dos maiores dias de quem o viveu e, talvez, o mais inesperado. Na própria véspera, à noite, eu passara casualmente pela porta da Pide, a monstruosa polícia política portuguesa, no Chiado. Ao ver dois ou três daqueles tipos à porta ?atarracados, bigode grosso, suéter sob o casaco?, eu dissera à minha mulher: “Eles estão aqui há 48 anos e vão ficar mais 48”. Pois nunca me enganei tanto. À primeira hora da madrugada, jovens oficiais do Exército, à frente de tanques e tropas, saíram de seus quartéis, ocuparam as estações de rádio, o aeroporto e os bancos, neutralizaram as forças paramilitares e invadiram os palácios, ministérios e secretarias do governo. Contrariando as ordens que saíam dos megafones, o povo foi para as ruas. Cravos vermelhos tomaram a lapela dos casacos e a boca dos canhões ?daí a Revolução dos Cravos, como seria chamada. Estava derrubada a ditadura mais longeva da Europa, instaurada em 1926 e, por 40 de seus 48 anos, comandada por um homem frio e inescrutável, um eunuco triste, de muitas convicções: António de Oliveira Salazar. Salazar morrera em 1970, mas seu fantasma continuava a assombrar o país. O 25 de Abril de 1974, em maiúsculas, como ficou famoso, evaporou-o.
Leia mais (04/20/2024 – 10h00)

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