Família denuncia possível erro na aplicação de medicação em recém-nascido em Palmas

Bebê sofre necrose após aplicação de remédio em hospital de Palmas
Os pais de uma bebê de 15 dias vêm enfrentando uma série de dificuldades. Em entrevista à TV Anhanguera, o pai, Erick Queiroz, contou que a filha nasceu com dificuldades para respirar. O problema foi identificado pelos médicos, que perceberam a necessidade de internação em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A bebê nasceu na Maternidade Dona Regina (HMDR), em Palmas, no dia 16 do mês passado (veja vídeo acima).
Com a internação, a recém-nascida passou a receber medicação. No entanto, segundo denúncia da família, a aplicação do medicamento teria sido realizada de forma incorreta. O pai contou à TV Anhanguera que o erro provocou uma lesão grave no pé da pequena Sarai, que evoluiu para necrose (morte dos tecidos). Segundo ele, o problema teria sido causado por um erro no acesso venoso (dispositivo utilizado para aplicação de medicação na veia).
“Nessa veia em que eles aplicaram o acesso, ele saiu e não perceberam. Não observaram para ver se estava tudo bem, se a perninha da neném não estava inchada. Continuaram aplicando o remédio. Quando viram, os medicamentos estavam sendo aplicados na pele da bebê”, desabafou.
Após a internação no Dona Regina, a bebê foi transferida para a UTI terceirizada do Estado, no Hospital Santa Tereza. No dia 28, a família recebeu alta para dar continuidade ao tratamento em casa. Porém, no dia 29, a situação piorou. Eles procuraram uma Unidade Básica de Saúde (UBS) e foram encaminhados ao Hospital Geral de Palmas (HGP). Por fim, a família retornou com a criança ao Hospital Dona Regina.
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Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde (SES-TO) informou que realiza transferências para hospitais parceiros para garantir o atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A pasta afirmou ainda que o Hospital Dona Regina é referência no atendimento a bebês e que Saraí foi “avaliada e assistida sistematicamente”. Sobre a causa das lesões, a secretaria alegou que as normas do Conselho Federal de Medicina (CFM) proíbem o repasse de informações do prontuário sem autorização da família.
O Hospital Santa Thereza informou que a paciente, internada entre 16 e 28 de abril, recebeu atendimento multidisciplinar. Segundo a unidade, durante o tratamento, “foi necessário manter acesso venoso no membro inferior (pé) para administração de terapia medicamentosa essencial ao quadro clínico. Em decorrência do procedimento, houve o surgimento de uma lesão superficial no local do acesso (leia íntegra da nota abaixo).”
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O pai afirma que o pé da bebê ficou com necrose após a aplicação do remédio
Reprodução/TV Anhnaguera
A família denunciou o caso ao Conselho Regional de Enfermagem (Coren-TO). Os pais esperam que o ocorrido seja investigado para evitar novos casos.
Nota do Coren-TO
O Conselho Regional de Enfermagem do Tocantins (Coren-TO) informa que dispõe de um canal de ouvidoria aberto ao público, por meio do qual todas as denúncias são devidamente registradas e encaminhadas à Comissão de Ética e Disciplina.
No caso específico mencionado, o Coren-TO recebeu a denúncia por meio do canal de ouvidoria, a qual se encontra em fase de averiguação. Será realizada fiscalização para apuração dos fatos e, posteriormente, o caso será encaminhado à Comissão de Ética e Disciplina, responsável por avaliar a conduta do profissional e deliberar sobre as medidas cabíveis.
Caso seja comprovada negligência por parte de profissional de enfermagem, este estará sujeito às sanções previstas no Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem.
O Coren-TO tem como principal compromisso zelar pela segurança e pela dignidade da vida humana. Todos os processos são analisados em plenária e, uma vez comprovadas irregularidades, as penalidades aplicadas seguem rigorosamente a legislação vigente.
Nota na íntegra do Hospital Santa Thereza
O Hospital Santa Thereza, em compromisso com a transparência e a ética profissional, vem a público esclarecer os fatos relativos ao atendimento prestado à paciente SZQF. A paciente esteve internada nesta unidade hospitalar no período compreendido entre 16 de abril de 2026 e 28 de abril de 2026, recebendo assistência de nossa equipe multidisciplinar.
Informamos que, durante o curso do tratamento hospitalar, foi necessária a manutenção de acesso venoso no membro inferior (pé) para a administração de terapêutica medicamentosa essencial ao quadro clínico da paciente. Em decorrência desse procedimento, houve o surgimento de uma lesão superficial no local do acesso.
É imperativo ressaltar que tal ocorrência constitui uma possibilidade clínica prevista na literatura médica, especialmente em pacientes recém-nascidos. A pele de neonatos apresenta extrema sensibilidade e fragilidade capilar, o que eleva o risco de intercorrências cutâneas mesmo sob a observância de rigorosos padrões de cuidado.
Tão logo a lesão foi identificada pela equipe assistencial, o Hospital Santa Thereza acionou imediatamente o seu Comitê de Curativos (Comissão de Pele). Este grupo especializado, composto por profissionais capacitados no manejo de feridas complexas, assumiu o acompanhamento do caso, aplicando todos os protocolos clínicos e curativos tecnológicos indicados para assegurar a integridade da paciente e a resolução do quadro.
No momento da alta hospitalar, ocorrida em 28 de abril de 2026, a paciente apresentava condições clínicas estáveis. O Comitê de Curativos forneceu as orientações necessárias à família e recomendou formalmente a continuidade do tratamento e acompanhamento da lesão em unidade de saúde de referência ou rede básica, procedimento padrão para cuidados pós-hospitalares.
O Hospital Santa Thereza enfatiza que, durante todo o período de permanência da paciente nesta unidade, e após a ata médica o Hospital não havia recebido qualquer registro de evolução clínica negativa da paciente.
Reiteramos nossa total disponibilidade à família da paciente, reafirmando nossa missão de prestar uma assistência à saúde pautada na segurança e no respeito à vida.
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