Mulher dá à luz em UPA após ser mandada para casa três vezes em maternidade de Palmas

Bebê nasceu pelas mãos de pediatras em unidade sem obstetrícia em Palmas
Reprodução/Arquivo pessoal de Marcela Silva
Uma mulher deu à luz na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Sul, em Palmas, após ter o atendimento de internação negado três vezes no Hospital e Maternidade Dona Regina Siqueira Campos. Segundo a família, Marcela Silva procurou a maternidade estadual diversas vezes com fortes dores e sangramento, mas foi orientada a retornar para casa em todas as ocasiões.
O parto aconteceu no último sábado (27), cerca de 20 minutos após a paciente dar entrada na UPA Sul, sendo realizado por uma equipe composta por pediatras e enfermeiros, já que a unidade não possui serviço de obstetrícia.
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Marcela, que é moradora de Guaraí e estava em Palmas para o nascimento do filho, relata que o sofrimento começou no dia 20 de junho. De acordo com a paciente, mesmo apresentando sangramento e dificuldade para caminhar devido às dores na região pélvica, os médicos da maternidade afirmaram que os sintomas eram normais para o estágio da gestação.
“Foram três dias de muita dificuldade indo para essa maternidade. No segundo dia eu já estava perdendo líquido e falaram que era apenas um corrimento. No terceiro dia eu não aguentava mais ficar em pé e disseram que ainda não era o momento do parto”, relatou Marcela.
A cunhada de Marcela, Karinny Alves, acompanhou a jornada transportando Marcela, e afirma que a equipe médica teria informado que a internação só ocorreria quando a gestação completasse 41 semanas. “Pedimos pelo amor de Deus para internar porque ela não conseguia mais andar, mas disseram que pela política médica ela deveria aguentar e esperar”, afirmou.
A Secretaria Estadual de Saúde informou que a paciente foi atendida nos três dias em que procurou a maternidade e que, nos dias 25 e 26 de junho, ela chegou a ser avaliada, mas não apresentava os critérios clínicos para internação, por isso recebeu orientações para que retornasse à unidade em caso de qualquer intercorrência (veja a nota completa abaixo).
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A Secretaria de Saúde de Palmas informou que as equipes da UPA são capacitadas para prestar o atendimento inicial em situações de urgência e emergência, mas que as unidades não são referência para a realização de partos. Segundo o município, a rede municipal de saúde oferece serviço de pré-natal e acompanhamento da gestante durante toda a gravidez.
Conforme a Prefeitura de Palmas, um Centro de Parto Normal (CPN) está sendo construído na 104 Norte, próximo ao Hospital Dona Regina. A previsão é que a unidade atenda gestantes de baixo risco e realize 900 partos por ano (veja nota completa abaixo).
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Parto improvisado na UPA
Karinny informou que na noite de sábado, com a intensificação das contrações e estando hospedada na casa da cunhada no setor Jardim Taquari, cerca de 20 km da maternidade estadual, a família decidiu buscar socorro na UPA Sul. Ao chegar no local, a equipe médica constatou a urgência do caso, e como a unidade não tem estrutura para partos, o procedimento foi realizado em uma sala de emergência.
“Quem fez o parto foram dois pediatras e enfermeiros. O médico [da UPA] falou: ‘Meu Deus, não tinha me preparado para fazer um parto’. Eles improvisaram tudo, usaram biombos para garantir a privacidade, e graças ao suporte deles o bebê nasceu bem, apesar de estar com o cordão enrolado no pescoço”, contou Karinny.
Após o nascimento, Marcela e o bebê foram transferidos pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para o Hospital Dona Regina para que os procedimentos referentes ao parto fossem finalizados. A transferência ocorreu devido à falta de estrutura técnica da UPA para realizar o atendimento completo.
Equipe da UPA Sul usou sala de emergência para nascimento de bebê
Reprodução/Arquivo pessoal de Marcela Silva
A família questiona a postura dos profissionais da maternidade estadual. Marcela relatou que, ao chegar no hospital vinda da UPA, teria ouvido comentários sobre o fato de o parto ter ocorrido em uma unidade de pronto atendimento. “Ficaram questionando por que o parto não foi concluído lá, inclusive com a retirada da placenta, sendo que na UPA não tinha obstetra”, desabafou a mãe.
Na maternidade estadual, Marcela e o recém-nascido permaneceram em observação clínica e passaram por exames de rotina para garantir que ambos estivessem estáveis após o parto improvisado. Após o período de monitoramento e a confirmação de que não havia complicações, eles receberam alta médica na tarde desta segunda-feira (29) .
Íntegra da nota da Secretaria Estadual de Saúde
A Secretaria de Estado da Saúde do Tocantins (SES-TO) esclarece que a paciente citada foi prontamente atendida e avaliada pela equipe médica do Hospital e Maternidade Dona Regina Siqueira Campos (HMDR) nas três ocasiões em que procurou a unidade.
A paciente foi avaliada no HMDR nos dias 25 e 26 de junho e, por não apresentar critérios clínicos para internação, uma vez que o trabalho de parto não estava em evolução, recebeu as orientações necessárias, incluindo o retorno imediato à unidade em caso de qualquer intercorrência, conforme os protocolos assistenciais. O parto ocorreu na madrugada do dia 28.
A SES-TO ressalta que o HMDR realiza os atendimentos em conformidade com as diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS), os protocolos técnicos obstétricos e os fluxos assistenciais vigentes, garantindo que as condutas sejam adotadas com base na avaliação clínica e na segurança da mãe e do bebê.
Íntegra da nota da Prefeitura de Palmas
A Prefeitura de Palmas, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semus), informa que as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) não são serviços de referência para a realização de partos. No entanto, as equipes são capacitadas para prestar o atendimento inicial em situações de urgência e emergência, garantindo a estabilização da gestante e do recém-nascido, quando necessário, até a transferência para a unidade de referência.
A rede municipal de saúde oferece serviço de pré-natal que garante o acompanhamento da gestante durante toda a gravidez nas Unidades de Saúde da Família (USFs), oferecendo consultas, exames, vacinação e demais cuidados necessários para uma gestação segura. Após o nascimento do bebê, as equipes também realizam o acompanhamento da mãe e da criança no período puerperal, assegurando a continuidade da assistência.
Além disso, como forma de ampliar a atenção à saúde materno-infantil, a Prefeitura de Palmas está construindo o primeiro Centro de Parto Normal (CPN) da Capital, na quadra ACNE 1 (104 Norte), próximo ao Hospital e Maternidade Dona Regina. A unidade será destinada ao atendimento de gestantes de baixo risco e terá capacidade para realizar até 900 partos por ano. A obra está sendo executada com recursos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) e contrapartida do Município.
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