Homem que deu a casa da ex como garantia a agiotas se passava por fazendeiro

Homem é condenado por estelionato sentimental em Palmas
O homem que deu a casa da ex-noiva como garantia a agiotas se passava por um empresário rico do agronegócio para enganar a vítima. Conforme a mulher, ele fazia promessas e dizia ser dono de fazendas, gado e até um a.
“Conheci a família dele, tudo bonitinho como manda a história de sonhos, né? As promessas de relacionamento, casamento, filho, negócios. Então, tudo isso ele foi me envolvendo cada dia mais, porque ele chegou [na minha casa] e já ficou”, relembrou a vítima.
Por decisão da 2ª Vara Cível de Palmas, ele foi condenado pagar R$ 456,4 mil à ex por danos materiais e danos morais. Ainda cabe recurso. O nome do homem não foi divulgado e, por isso, o g1 não conseguiu contato com a defesa dele.
📱 Clique aqui para seguir o canal do g1 TO no WhatsApp
A mulher relatou que passou um ano sem trabalhar e ficou meses longe de casa após o imóvel dela ser usado como garantia de uma dívida com agiotas. Segundo a vítima, as cobranças eram constantes e o medo limitou sua rotina.
“Passei um ano sem trabalhar. Fiquei três meses longe da minha casa até os advogados conseguirem todo respaldo e o juiz determinou que eu voltasse para minha casa. Mas eu não poderia sair, então estava numa ‘prisão domiciliar'”, relatou.
A vítima contou que precisou se afastar do trabalho enquanto tentava resolver a situação na Justiça. Mesmo depois de voltar para casa, continuou sob pressão e recebendo ameaças dos agiotas. “Era a gente cobrando 24 horas. Conseguiram meu telefone, não sei como, mas toda hora era uma cobrança diferente”, disse.
LEIA TAMBÉM
Mulher ficou meses sem sair de casa após ex usar imóvel como garantia de dívida com agiotas no TO: ‘Prisão domiciliar’
Ciclista que saiu do interior do TO pedalando chega ao Chile e descreve aventura sobre rodas; VÍDEO
Oito pessoas são denunciadas por golpe de vendas falsas que causou prejuízo de quase R$ 1 milhão no TO
Vítima de estelionato sentimental ganhou ação contra o ex no Tocantins
Reprodução/TV Anhanguera
Como o estelionato aconteceu?
A vítima conheceu o homem em um aplicativo de relacionamento, em 2021. Os dois ficaram juntos por um ano e um mês. No início do relacionamento, ele pedia pequenas quantias emprestadas, que totalizaram R$ 128 mil em transferências.
Em setembro de 2021, o homem pediu dinheiro para comprar um supermercado em Gurupi. Na época, ele contraiu um empréstimo de R$ 150 mil com agiotas e ofereceu a casa da vítima como garantia. Como não pagou a dívida, a mulher passou a receber cobranças e precisou renegociar o débito para evitar perder o imóvel. Após a negociação, a dívida chegou a R$ 270 mil.
O homem também incluiu a vítima no contrato social do supermercado. Por causa das dívidas do estabelecimento, ela teve o nome negativado.
No processo, o homem alegou que a vítima “é pessoa maior, capaz e instruída, tendo assumido voluntariamente os riscos de um investimento comercial”. Ele ainda afirmou que não havia provas de que ela tivesse sido induzida a tomar decisões contra a própria vontade ou de que ele tivesse cometido alguma irregularidade.
A Justiça rejeitou os argumentos do investigado. “A conduta do requerido ultrapassou em muito o mero dissabor cotidiano ou o simples término de um relacionamento amoroso. A requerente viu-se vítima de manipulação emocional degradante, teve sua residência ameaçada por cobranças ostensivas de terceiros, experimentou constrangimento social e familiar e sofreu abalo psíquico intenso”, diz a decisão.
Caso a decisão se mantenha, o ex-noivo deverá pagar R$ 406.400 por danos materiais e R$ 50 mil por danos morais. Segundo a sentença, a maior parte da indenização corresponde aos valores gastos pela vítima durante o relacionamento:
R$ 128 mil em transferências bancárias realizadas em 2021;
R$ 8,4 mil em transferências realizadas em 2022;
R$ 270 mil pagos na renegociação da dívida para evitar a perda do imóvel.
Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.

